Concurso PF: Gabarito Preliminar divulgado

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Gabarito Preliminar disponível

O Cebraspe, responsável por organizar a prova da Polícia Federal, que foi aplicada no último domingo, dia 23 de maio de 2021, disponibilizou o gabarito preliminar das provas de Agente, Escrivão, Papiloscopista e Delegado de Polícia.

Para baixar a prova e o gabarito para o cargo de Agente de Polícia, CLIQUE AQUI!

Para baixar a prova e o gabarito para o cargo de Escrivão de Polícia, CLIQUE AQUI!

Possibilidade de Recursos

Nossos professores estão analisando as questões e, caso haja possibilidade de interposição de recursos, iremos atualizar nesse espaço.

ESCRIVÃO DE POLÍCIA FEDERAL

ARQUIVOLOGIA – Fundamentação para recurso da questão 115 – Prova de Escrivão da Polícia Federal:

A legislação brasileira reconhece a gestão de documentos de arquivo como instrumento de apoio à administração, à cultura, ao desenvolvimento científico e como elemento de prova e informação. Acerca da arquivologia, julgue os itens que se seguem.

115 – É o princípio da proveniência que dá ao documento de arquivo a singularidade para diferenciá-lo de outros tipos de documentos.

Venho respeitosamente solicitar a esta Banca a alteração do gabarito da questão número 115, de “CERTO” para “ERRADO”.

O enunciado da questão afirma que “é o princípio da proveniência que dá ao documento de arquivo a singularidade para diferenciá-lo de outros tipos de documentos”. No entanto, o princípio utilizado para se fazer tal diferenciação dos documentos arquivísticos dos demais existentes na instituição, é o princípio da organicidade, conforme demonstra fragmento abaixo, extraído da obra denominada “Arquivos Permanentes: tratamento documental, FGV, 2007, comumente utilizada por esta conceituada Banca em provas de concursos. A referida publicação em sua página 136, afirma que:

“A organicidade, que está vivamente presente na própria conceituação de fundo, é o fator que melhor esclarece a diferença entre os conjuntos documentais arquivísticos e as coleções características das bibliotecas e dos centros de documentação.”

A organicidade é uma característica primordial dos documentos de arquivo e está relacionada ao fato de que tais documentos são acumulados naturalmente em decorrência das atividades da instituição, conforme trecho abaixo, retirado do Dicionário Brasileiro de Terminologia Arquivística – DIBRATE (Arquivo Nacional, 2005, p. 127):

“Organicidade é a relação natural entre os documentos de um arquivo em decorrência das atividades da entidade produtora”

Tal relação natural, descrita acima, não está presente nos documentos de bibliotecas e de museus, cujos acervos são colecionados artificialmente, e os documentos são incorporados ao acervo por meio da compra, doação ou permuta. Renato Tarciso de Sousa, em sua obra Arquivística: temas contemporâneos, SENAC, 2007, pág. 131, reforça a ideia de que a organicidade diferencia os documentos de arquivo dos demais, quando afirma que a organicidade é “uma das características essenciais dos documentos de arquivo”.

A organicidade como elemento que confere ao documento de arquivo a sua singularidade foi cobrada em provas anteriores do Cebraspe, como pode ser notado nos itens transcritos a seguir, considerados como corretos em gabaritos definitivos divulgados por esta conceituada banca:

(CEBRASPE- MPE/PI 2018) A existência de um sentido orgânico no arquivo é o que o distingue da biblioteca e do museu.

CEBRASPE- TJ/RR 2012) O arquivo caracteriza-se por ser um conjunto orgânico, resultado das atividades de uma pessoa física ou jurídica, e não uma coleção de documentos de diversas fontes

Já o princípio da proveniência, descrito no comando da questão aplicada na prova, segundo Marilena Leite Paes (Arquivo: teoria e prática, FGV, 2008, pág. 27), é definido como:

“Princípio segundo o qual devem ser mantidos reunidos, num mesmo fundo, todos documentos provenientes de uma mesma fonte geradora de arquivo”

Nota-se pelos conceitos supracitados que os princípios da organicidade e o da proveniência tem objetivos distintos. O primeiro vincula os documentos as atividades que os originaram, conferidos a eles um caráter singular, enquanto o segundo vincula os documentos ao seu produtor, ou seja, a sua fonte geradora.

Diante dos argumentos expostos nota-se que o princípio da organicidade é aquele que “dá ao documento de arquivo a singularidade para diferenciá-los de outros tipos de documentos”, e não o princípio da proveniência, portanto o item está incorreto.  Sendo assim, solicita-se que esta conceituada banca altere o gabarito desta questão.

AGENTE E ESCRIVÃO DE POLÍCIA

LÍNGUA PORTUGUESA – Fundamentação para recurso:

Conclui-se das ideias do texto que, apesar de existirem peculiaridades culturais e históricas sobre o estabelecimento das penas em cada país, o crescimento do encarceramento apresenta-se como um fenômeno universal que, chancelado pela opinião pública, tem sido adotado como política de segurança por muitos governos, principalmente os das regiões mais desenvolvidas do mundo.

Gabarito Preliminar: CERTO

            O item trata de um tema associado à habilidade de leitura: inferência.

DOS FUNDAMENTOS:

            O conceito de inferência, no campo dos estudos linguísticos e na teoria do texto, possui diferentes acepções e métodos de operacionalização na elaboração, pelo leitor, de informações novas com base em uma informação dada explicitamente no texto.

Segundo Marcuschi (2011, p. 94), “inferir é compreender […] o certo é que as inferências são produzidas com o aporte de elementos sociossemânticos, cognitivos, situacionais, históricos, linguísticos, de vários tipos que operam integradamente”. Nessa perspectiva, considerando-se o texto proposto para análise na prova, não há elementos de ordem histórica e cultural que permitem compreender que a opinião pública chancela “o crescimento do encarceramento apresenta-se como um fenômeno universal”, tal como indica o item. Tal afirmação de ampara-se em dois argumentos:

  1. Linguisticamente, a expressão “chancelado pela opinião pública” remate ao seu elemento anterior, a saber, crescimento do encarceramento, portanto, o que se conclui do excerto é que a população avalia positivamente o fato de haver mais pessoas sendo encarceradas;
  2. No texto, a ideia de avaliação da população se associa à ideia de disciplinar determinados grupos e segmentos populacionais e não de ampliar o quantitativo de encarceramento: “Mais importante, a proporção da população em conflito direto com a lei e sujeita à prisão cresce em ritmo que indica uma mudança mais que meramente quantitativa e sugere uma “significação muito ampliada da solução institucional como componente da política criminal” — e assinala, além disso, que muitos governos alimentam a pressuposição, que goza de amplo apoio na opinião pública, de que “há uma crescente necessidade de disciplinar importantes grupos e segmentos populacionais”. Há uma indicação clara, no texto da prova, de que a população chancela o encarceramento de “importantes grupos e segmentos populacionais”, os quais não estão referenciados no texto. Não havendo esse tipo de referenciação no texto, não se pode afirmar que a população quer crescimento indiscriminado do encarceramento. Tal ideia proposta no item configura-se como uma interpretação extensiva e não autorizada por elementos culturais e linguísticos do texto.

Outrossim, para a identificação de inferência, deve ser adotada uma ação essencial: a verificação de pistas linguísticas e contextuais que autorizem o leitor a validar, via texto, a informação nova que ele produz. Ou seja, inferência não é o resultado de uma especulação gratuita sobre o texto ou de uma interpretação ampliada. Nessa perspectiva, não há no texto elementos linguísticos que afirmem que o fenômeno universal do maior encarceramento é algo avaliado positivamente pela população. O que está claro é que a rede de prisões está aumentando, não só em função de condenações, mas também em decorrência do crescimento de pessoas em provação de liberdade à espera de julgamento.

Portanto, pelos argumentos expostos, não se considera a inferência indicada no item uma leitura inadequada sobre o texto.

DO PEDIDO:

Diante do exposto, requer a alteração do gabarito de CERTO para ERRADO.

Referências

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Dicionário escolar de língua portuguesa. Curitiba: Positivo, 2011.

MARCUSCHI, Luiz Antônio. Compreensão textual como trabalho criativo. In: UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA. Prograd. Caderno de formação: formação de professores didática geral. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2011, p. 89-103, v. 11.

AGENTE E ESCRIVÃO DE POLÍCIA

INFORMÁTICA – Fundamentação para recurso:

Questão
Uma da etapas descritas em um método de desenvolvimento de sistema clássico é a da análise e definição de requisitos, etapa em que as restrições e as metas do sistema são obtidas por meio de consulta a usuários, com o objetivo de realizar a especificação do sistema.

Gabarito preliminar: Certo.

Solicitação de alteração para: Errado.

Justificativa
Conforme Pressman [2011], “a engenharia de requisitos ocorre durante as atividades de comunicação com o cliente e de modelagem que são definidas para o processo genérico de software.” Ainda, cita que na fase de conceção dos requisitos, “os interessados estabelecem os requisitos básicos do problema, definem as restrições de projeto primordiasi e tratam as principais caracterśticas e funções que têm de estar presentes para que o sistema atenda seus objetivos”. Notamos nos fragmentos citados que a tarefa de definção de requisitos é realizada pelo “cliente”. O mesmo autor diferencia os papéis das partes interessadas no sistema, definindo clientes e usuários finais: 

“Cliente é a pessoa ou grupo que: (1) originalmente, requisita o software a ser construído, (2) define os objetivos gerais do negócio para o software, (3) fornece os requisitos básicos do produto e (4) coordena os recursos fi nanceiros para o projeto. Em uma negociação de sistemas ou de produtos, o cliente, com frequência, é o departamento de marketing. Em um ambiente de tecnologia da informação (TI), o cliente pode ser um departamento ou componente de negócio. Usuário final é uma pessoa ou grupo que (1) irá realmente usar o software que é construído para atingir algum propósito de negócio e (2) irá definir os detalhes operacionais do software de modo que o objetivo seja alcançado.”

Sendo assim, identificamos que o papel “usuário” indicado na questão torna a afirmativa errada, uma vez que as atividades de definição de restrições e metas são realizadas pelo “cliente”. Tomando como base a sustenção acima, pede-se a alteração de gabarito para “Errado”. 

Referência:

Pressman, Roger S. Engenharia de software: uma abordagem profi ssional / Roger S. Pressman ;
7. ed. – Porto Alegre : AMGH, 2011.

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Por Equipe de Conteúdos CEISC

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