Você se cobra de maneira excessiva?

Psicóloga Caroline Maria Nunes

Por:

Caroline Maria Nunes

Vivemos em uma sociedade onde nos iludimos ao fantasiar que a vida do outro seja perfeita e permeada somente por acertos, o que faz com que não possamos tolerar os erros e a capacidade de frustrar-se. A partir deste viés, será gerado um sentimento de autocobrança fazendo com que se tenha que atingir o máximo possível de expectativas internas e externas, que por vezes, ultrapassam os próprios limites e o próprio tempo. 

Entender que a vida não é linear é importantíssimo para que um processo de crescimento e evolução interna aconteçam, bem como compreender que não atingir o resultado esperado não é sinônimo de fracasso. Diante da intolerância ao erro, comumente o estudante tende a criar pensamentos autodestrutivos como punição e não reflete que o erro é inerente a aprendizagem. O que acontece também é deixar de apostar em seus desejos pelo medo de fracassar, impedindo de se conhecer e de testar seus conhecimentos.  

A autocrítica excessiva acarreta diversas consequências negativas psíquicas, nas quais se destacam a dificuldade em lidar com a possibilidade de se frustrar e também o sentimento constante de pendência consigo e de insatisfação pessoal, o que está ligado diretamente com sua autopercepção. 

Vamos fazer o seguinte exercício reflexivo

Quantas vezes você já repetiu as seguintes frases para si:  

“Eu não vou conseguir”, “eu não sou boa/bom o suficiente”, “eu poderia ter feito melhor”, “tudo sempre dá errado”?  

Frases como essas retratam a desvalorização dos seus progressos e sobre aquilo que vem buscando evoluir dentro do você. 

Ao invés de se autodepreciar, repita para si mesmo: 

“Eu estou entregando o meu melhor e fiz o que consegui neste momento” 

“Eu estou aprendendo com meus erros” 

“Eu posso ser imperfeito e é isso que me torna humano” 

Por isso, para lidar com a autocrítica, você precisará: 

– Reconhecer suas potencialidades e valorizar seus progressos ao invés de se ater somente aos seus erros. 

– Suas conquistas não podem ser ofuscadas pelo sentimento suposto de fracasso. 

– Construir um cronograma de estudos com prazos realistas que respeitem os seus limites.  

– Entender que você não precisa dar conta de tudo. Pelo contrário, tente dividir em partes os seus estudos e focar no que é possível de se fazer dentro das suas condições de vida. 

– Aceitar que a perfeição não existe. Acreditar em um “ideal” de estudos só alimentará ainda mais a autocobrança.  

– Não comparar sua trajetória de vida com a do outro. Lembrar que você tem o seu próprio tempo é protetivo e produz autocuidado.  

– Começar a enxergar os seus esforços. Tenha certeza que você já vem entregando o seu melhor, diante daquilo que consegue neste momento.  

– Se autorizar a descansar e não ser tão duro(a) com você. Seu valor não está apenas naquilo que você produz, está também naquilo que você é e como se sente frente a sua vida.  

– Exercer a compaixão consigo mesmo. Você se ama, se acolhe, se valoriza e se ampara tal como faz com os outros? 

– Pedir por ajuda. Você não precisa lidar com o seu sofrimento sozinho(a). Saiba reconhecer a importância de buscar por apoio psicológico nos momentos em que você estiver fragilizado e se pressionando demasiadamente. 

Entre o ideal, existe o que é possível e real de ser. Precisamos refletir sobre o quanto a autocobrança aumenta os níveis de estresse e ansiedade, que irão afetar o seu desempenho acadêmico e profissional.  

Com carinho, psicóloga Caroline Maria Nunes. CRP 07/28381 

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