Quanto vale a sua saúde mental?

Por:

Caroline Maria Nunes

Antes de iniciarmos essa conversa, te convido ao seguinte exercício reflexivo: 

  1. Quais ações voltadas ao cuidado com a sua saúde mental têm sido realizadas por você?  
  1. Qual é o preço que se paga pelo descuidado com a sua saúde mental e física? 
  1. Você tem escutado às suas emoções e validado o que sente? 
  1. Consegue identificar os gatilhos que ocasionam emoções que geram desconforto? 
  1. Você tem se acolhido durante esse momento de preparação para a prova ou tem se exigido demasiadamente? 
  1. Quais são as consequências da negligência com a própria saúde? 

Percebe-se o quanto ainda existe uma grande dificuldade instituída pelo social em conseguir reconhecer o seu próprio sofrimento e o sofrimento do outro sem banalizar, criticar, julgar e diminuir. O estigma associado a aqueles que já́ tiveram ou ainda sofrem com algum tipo de transtorno mental criam barreiras sociais e esse alguém passa a ser alvo de discriminação quando evidencia a necessidade de apoio especializado. 

Deste modo, percebe-se que muitas vezes se é dado uma ênfase maior ao cuidado da saúde física, esquecendo-se do corpo enquanto totalidade, principalmente de olhar para o interno. Há uma busca incessante de olhar para fora e uma evitação de se confrontar com a dor, até porque tende-se a nomear como “vergonhoso” a possibilidade em assumir quando não se está bem. E é importante ressaltar que quando se fala em saúde mental, não se fala em ausência de doença mental, mas sim, a possibilidade de entendimento sobre as emoções e sentimentos. 

Penso que o cuidado com a saúde mental vem a fortalecer o sujeito, podendo rever a avaliação subjetiva que ele faz sobre si mesmo. Principalmente em momentos de baixa autoestima, em que a autocrítica surge de maneira exacerbada, gerando insegurança, insatisfação e autocobrança. E para procurar um psicólogo, não se deve esperar que o sofrimento se transforme em adoecimento. Muitas pessoas vão procrastinando o cuidado mental, achando que ele irá amenizar com o passar do tempo, o que resulta em uma bola de neve sem fim. Por isso, é importante a identificação de sinais de alerta que indicam conflitos internos.  

Além disso, o apoio especializado surge como fonte de autocuidado, no qual, o sujeito poderá estar desenvolvendo um olhar mais empático, acolhedor e carinhoso consigo mesmo, compreendendo a importância de aceitar-se de maneira integral: com erros e acertos, qualidades e defeitos, bem como aprendendo a respeitar à sua subjetividade. E primordialmente, buscar por apoio psicológico poderá auxiliar no desenvolvimento e expansão do autoconhecimento, construindo a independência necessária para lidar com emoções e superar dificuldades. 

Diante dessa sobrecarga que muitos estudantes enfrentam durante o período pré-prova, podem repercutir em sérios prejuízos a saúde mental. As exigências acadêmicas, marcadas por um ritmo social cada vez mais acelerado e exacerbado, tem resultado em uma exaustão emocional entre estudantes, caracterizando-se como um sentimento de tensão contínua que produz esgotamento, falta de energia e baixo desempenho.  

E quais são as consequências disso na saúde mental do estudante? 

Geralmente, uma relação conflitante com a vida acadêmica tende a levar o estudante a desenvolver crises de ansiedade, o aumento do estresse, a depressão e transtornos de aprendizagem. 

Por isso, convido você estudante, a refletir sobre como está a sua saúde mental neste momento de pandemia e o que você tem feito para cuidar dela. Gostaria de lembrar você que estudar não deve ser padecedor porque ninguém deve “morrer estudando”. Estudar ainda que cause algumas privações ao ter que abrir mão por vezes de momentos de lazer, reuniões de família e encontros com os amigos, trará uma grande recompensa que é a possibilidade de ampliar o próprio conhecimento, já que estudar é abrir portas e ampliar horizontes. 

Estou aqui para lembrar a você, querido(a) estudante, que esse período é temporário. Já chegamos até aqui e não vai ser agora que iremos desistir. Assim, tente-se se tranquilizar. O equilíbrio é fundamental para que você consiga perceber que além de estudar, você merece ter momentos de autocuidado, com a sua saúde mental e física. Lembre-se que ser produtivo não é ficar horas e horas estudante e/ou trabalhando. Ser produtivo é também se permitir a descansar, aproveitar o tempo ócio, ler um livro (que não sejam somente os que você estuda para alguma prova), assistir uma série ou filme, realizar alguma atividade manual ou física, ter momentos de lazer e organizar os seus pensamentos.  

Lembre-se que são inúmeras as formas de manter a saúde mental em dia. A primeira delas é buscar validar o você se sente, pois a partir disso, você poderá reconhecer em si quais são seus desejos e o que para VOCÊ é capaz de provocar saúde e bem-estar, já que isso dependerá da sua singularidade, particularidade e subjetividade. Assim, buscar identificar a origem e a causa do seu sofrimento é fundamental, pois somente quando tiver a consciência sobre si, será possível encontrar soluções e maneiras de como manejar essa situação.  

Outras sugestões preciosas são: priorize cuidar de você, busque reconhecer as suas emoções e sentimentos, fortaleça os vínculos sociais e afetivos, desfrute do tempo ócio, exercite a mente e o corpo com aquilo que lhe proporcione prazer.   

E assim, que você possa aprender a olhar para o que você sente. Questione-se mais, se permita a encarar as suas sombras para que a luz possa se aproximar. Por mais doloroso e intenso que seja, nada é mais recompensador do que saber quem se é e o que deseja se tornar. A mudança que você almeja precisa partir de você!  

Por isso, reflita e compartilhe essa informação. Seguimos disseminando saúde mental como forma de prevenção e autocuidado. Não feche os olhos para o cuidado para com a sua saúde mental e daqueles que te cercam. Abra a sua mente, se acolha e estenda a sua mão para as suas relações!  

Com carinho, psicóloga Caroline Maria Nunes!  

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