Que tal advogar com áreas alternativas do Direito?

Por:

Douglas Azevedo

A trajetória do acadêmico de direito é marcada por diversas dúvidas no tocante as escolhas profissionais, o que é normal, ao considerarmos a vasta possibilidade de profissões disponíveis. Muito embora um número considerável de estudantes acabe optando pelo setor público, é inquestionável que a grande maioria acaba voltando-se para a advocacia, nem que por algum tempo. Tal opção resulta, é claro, em uma nova incerteza: com qual área do direito advogar.

Por óbvio que as grandes áreas do direito como direito penal, civil e trabalhista são as opções iniciais dos recém formados, por se tratarem das disciplinas mais populares e com maior carga horária nas graduações, contudo, essa preferência existe há décadas. É justamente esse aspecto que pode trazer dificuldades inicias para jovens advogados: conseguir atrair clientes competindo diretamente com escritórios com anos de tradição nestas áreas, pois é natural que os clientes busquem profissionais com mais experiência e que são mais indicados por seus conhecidos.

Superar essa barreira exige criatividade e atuação ativa do jovem profissional, além é claro de muita paciência, pois é comum que os resultados demorem. Há, contudo, uma alternativa interessante que muitos jovens advogados sequer cogitam: trabalhar com áreas alternativas e emergentes do direito.

A grande vantagem de optar por áreas alternativas é a menor concorrência, pois nem todos escritórios se atualizaram para oferecer esses serviços. Assim, com a crescente demanda por essas áreas e a escassez de prestadores, o jovem advogado com atuação especializada acaba se tornando uma opção relevante no mercado, facilitando a inserção e reduzindo o tempo de maturação do escritório.

Demandas como a adequação de empresas à Lei Geral de Proteção de Dados e demais temas dentro do direito digital, propriedade industrial (especialmente marcas) e compliance (advocacia preventiva) encontram-se em alta e ainda carecem de profissionais especializados em muitas cidades. Ademais, por serem assuntos ainda não tão difundidos, é mais fácil para o jovem profissional produzir conteúdo digital ou mesmo participar de eventos presenciais para palestrar sobre o tema, o que é fundamental para que a sociedade veja o advogado como referência na área.

Atuar nesses ramos pode, inclusive, ser um atalho para que o profissional venha a advogar também com os grandes ramos do direito acima mencionados. Para melhor ilustrar tal colocação, segue um exemplo pessoal: optei por advogar com marcas em uma cidade com escassez de profissionais neste setor. Em virtude da crescente demanda provocada pela pandemia (necessidade das empresas trabalharem no meio digital, por exemplo), empresas passaram a buscar meus serviços para efetuar o registro e proteção de suas marcas. Contentes com o atendimento, criou-se um vínculo de confiança e meu escritório passou a ser buscado por estas empresas para atuação dentro do direito civil e trabalhista. Ou seja, a atuação diferenciada colocou meu escritório no radar de empresas locais – o que dificilmente aconteceria se eu prestasse um serviço que todos os outros escritórios também prestam. Este mesmo movimento vem se repetindo agora, que iniciamos a adequação de empresas à LGPD – empresas que normalmente buscariam os escritórios mais consagrados e antigos da cidade acabam por solicitar meus serviços.

Iniciar um escritório é algo incrível e gratificante, porém desafiador, e muitas vezes a demora para que ocorra o retorno financeiro acaba frustrando muitos jovens que sonham em advogar. Por isso, importante que os passos iniciais sejam traçados com bastante cuidado e análise estratégica, na busca pelas melhores formas de inserção no mercado.

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