A Geopolítica do Canal de Suez

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O Egito é conhecido pelas obas faraônicas construídas na Antiguidade. No entanto, além de templos e pirâmides, o país também possui em seu território outra grande construção: o Canal de Suez, o maior canal artificial sem eclusas do mundo. Os seus 193 km de extensão conectam os mares Mediterrâneo e Vermelho, os quais se encontram na mesma altitude, tornando desnecessária a presença de eclusas.

Ele foi construído entre 1859 e 1869 com capitais britânicos e tecnologia francesa. Uma vez concluído, o canal agilizou a comunicação marítima entre Europa e Ásia ao dispensar os navios cargueiros de contornar o continente africano. Isso significa que o Canal de Suez diminui em 20 mil km a distância entre os portos asiáticos e os europeus.


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O Canal é fundamental para a economia do Egito, pois todos os anos cerca de 19 mil embarcações passam pelo canal, o que rende ao país uma receita anual de milhares de dólares. Por dia, cerca de 9,5 bilhões de dólares em mercadorias são transportadas pelas suas águas. Portanto, ele é fundamental para a economia mundial, uma vez que por ele passam 12% do comércio global e 30% do tráfico mundial de cargueiros. Como se não bastassem os números elevados, por ele também passam centenas de embarcações petrolíferas todos os dias, as quais transportam os milhares de barris de petróleo extraído dos países do Golfo Pérsico, como Kwait e Arábia Saudita.

                                            https://www.revistamilitar.pt/artigo/798

Percebe-se que o funcionamento do Canal de Suez é crucial para o desenvolvimento do comércio em um mundo globalizado e ainda muito dependente do petróleo. Porém, o que vimos na última semana foi o seu não funcionamento em função de um acidente. A embarcação cargueira Ever Given foi atingida por uma tempestade de areia quando percorria as águas do canal. O navio percorria uma das rotas marítimas mais transitadas do mundo, pois ia da China ao porto de Roterdã, na Holanda. Por causa dos fortes ventos e da baixa visibilidade, o navio acabou fazendo uma manobra que o colocou de lado no estreito canal. Assim, uma extremidade da embarcação encalhou na margem. As manobras para liberar a embarcação ainda irão demorar alguns dias, pois a embarcação possui 400 metros de comprimento, mais de 200 mil toneladas e uma capacidade para 20 mil containers.

Com o navio atravessado, o Canal teve seu funcionamento interrompido, o que gerou um congestionamento de centenas de embarcações nos dois lados. Muitas destas embarcações são navios petroleiros, os quais ainda estão sem previsão de poder cruzar o canal. Esta incerteza levou nervosismo às bolsas de valores do mundo inteiro e o preço do barril do petróleo já subiu. Com elevação do preço do petróleo, a tendência é que haja novo aumento de combustíveis no Brasil, já que a atual política de preços da Petrobrás está alinhada ao preço internacional do barril.

A interrupção temporária do canal também já trouxe como efeito o aumento dos custos dos fretes, uma vez que rota alternativa contornando a África é muito mais distante e cara. O cenário de incerteza e de preocupação se agrava com a expectativa de um futuro congestionamento nos portos europeus e asiáticos, uma vez que quando o canal for liberado, centenas de embarcações irão retomar o seu percurso em direção aos portos de destino ao mesmo tempo. Desta forma, percebemos que embora seja uma passagem crucial que aproxima os continentes e reduz as distâncias, o Canal de Suez também pode ser um gargalo logístico cujo não funcionamento traz inúmeras consequências a nível global.

https://oglobo.globo.com/economia/canal-de-suez-companhias-comecam-mudar-rota-de-navegacao-enquanto-crise-com-navio-encalhado-se-prolonga-2-24942428

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Por Equipe de Conteúdos CEISC

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